1091: Oito mortes e 891 casos de covid-19. Internamentos e incidência continuam a descer

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

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Portugal registou, esta terça-feira, 891 novos casos e oito mortes na sequência da infecção por covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Lisboa e Vale do Tejo é a região que regista mais infecções, com 323 novos casos de covid-19. Segue-se o Norte (290), o Centro (111), o Algarve (99) o Alentejo (46), a Madeira (13) e os Açores (9).

Dos oito óbitos, quatro foram registados em Lisboa e Vale do Tejo, dois no Algarve, um no Alentejo e um no Centro.

Os internamentos voltam a registar uma descida. Há 426 doentes internados no país, menos 29 do que os registados no último boletim, e 78 pessoas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), tantas quantas na terça-feira.

Nas últimas 24 horas, 1.212 pessoas recuperaram da doença, num total de 1.013.789 recuperados desde o início da pandemia. Portugal tem hoje 32.269 casos activos, menos 329 em relação ao dia anterior, e 28.466 contactos em vigilância.

Em relação à matriz de risco, a incidência do SARS-Cov-2 ao nível nacional está nos 137,4 casos por 100.000 habitantes. Se se contar apenas com o Continente, sobe para 140,1 casos/100.000 habitantes.

Já o índice de transmissão R(t) não sofreu alteração. Situa-se nos 0,82 no país e nos 0,81 no continente.

Por Liliana Malainho
22 Setembro, 2021

© ® inforgom.pt e apokalypsus.com são domínios registados por F. Gomes

 

1090: A prova que precisava: Sim, as máscaras protegem contra a covid-19 (mas há uma predilecta)

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/MÁSCARAS

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As máscaras funcionam? Se sim, será melhor utilizar uma N95, uma máscara cirúrgica ou uma máscara de pano?

No último ano e meio, os investigadores produziram muitas evidências laboratoriais sobre a eficácia das máscaras. Para muitas pessoas, é compreensível que seja difícil acompanhar o que funciona e o que não funciona.

Recentemente, um ensaio clínico testou a eficácia do uso de máscaras. O estudo ainda não foi revisto por pares, mas foi bem recebido pela comunidade médica. O que os investigadores descobriram fornece evidências que confirmam estudos anteriores: o uso de máscaras, especialmente máscaras cirúrgicas, previne a covid-19.

Durante a pandemia do coronavírus, o foco tem sido as máscaras como forma de evitar que pessoas infectadas contaminem o ar ao seu redor. Evidências laboratoriais recentes sustentam esta ideia.

Em Abril de 2020, cientistas mostraram que as pessoas infectadas com um coronavírus — mas não com o SARS-CoV-2 — exalaram menos RNA do coronavírus no ar ao seu redor se usassem uma máscara. Uma série de estudos laboratoriais adicionais também corroboraram a eficácia das máscaras.

No mundo real, muitos epidemiologistas examinaram o impacto das máscaras e das políticas de uso de máscara para ver se ajudam a retardar a disseminação da covid-19.

Um estudo observacional publicado no final de 2020 analisou dados demográficos, testes, confinamentos e uso de máscara em 196 países. Os investigadores descobriram que, depois de controlar outros factores, os países com normas culturais ou políticas que apoiavam o uso de máscara viram a mortalidade per capita por coronavírus aumentar apenas 16% durante os surtos, em comparação com um aumento semanal de 62% em países sem normas de uso de máscara.

Estudos laboratoriais, observacionais e de modelagem têm sustentado consistentemente o valor de muitos tipos de máscaras. Mas essas abordagens não são tão fortes quanto os ensaios clínicos aleatórios em grande escala entre o público em geral, que comparam grupos após a intervenção ter sido implementada em alguns grupos seleccionados aleatoriamente e não implementada em grupos de comparação.

De Novembro de 2020 a Abril de 2021, uma equipa de investigadores em estreita colaboração com parceiros do governo de Bangladesh e da organização sem fins lucrativos Innovations for Poverty Action, conduziu um estudo aleatório em grande escala no Bangladesh.

Os objectivos eram aprender as melhores maneiras de aumentar o uso de máscara sem que fosse obrigatório, compreender o efeito do uso da máscara na covid-19 e comparar as máscaras de tecido e as máscaras cirúrgicas.

O estudo envolveu 341.126 adultos em 600 aldeias na zona rural de Bangladesh. Em 300 aldeias não foi promovido o uso de máscara e as pessoas continuaram a usar máscara, ou não, como antes. Em 200 aldeias, o uso de máscara cirúrgica foi promovido e em 100 aldeias foi promovido o uso de máscara de pano.

Ao longo de oito semanas, a equipa distribuiu máscaras gratuitas, forneceu informações sobre os riscos da covid-19 e o valor do uso de máscara. Também trabalharam com líderes comunitários e religiosos para promover o uso de máscara e contrataram funcionários para andar pela aldeia e pedir educadamente às pessoas para usarem máscara.

A equipa à paisana registou se as pessoas usavam máscaras adequadamente sobre a boca e o nariz, de maneira inadequada ou não usavam de todo.

Máscaras reduziram infecções de covid-19

O uso de máscara mais do que triplicou, de 13% no grupo que não recebeu máscaras para 42% no grupo que recebeu. Curiosamente, o distanciamento social também aumentou 5% nas aldeias onde promoveram o uso de máscara.

Nas 300 aldeias onde foi distribuído qualquer tipo de máscara, foi observada uma redução de 9% na incidência da covid-19 em comparação com as aldeias onde não foi promovido o uso de máscara. Devido ao pequeno número de aldeias onde foi promovido o uso de máscara de pano, os cientistas não foram capazes de dizer se as máscaras de pano ou cirúrgicas eram melhores na redução da propagação da covid-19.

O estudo contou com uma amostra grande o suficiente para determinar que nas aldeias onde foram distribuídas máscaras cirúrgicas, a incidência de covid-19 caiu 12%. Nessas aldeias, a covid-19 caiu 35% em pessoas com 60 anos ou mais e 23% em pessoas com 50-60 anos. Ao observar sintomas semelhantes aos da covid-19, os cientistas descobriram ainda que as máscaras cirúrgicas e de pano resultaram numa redução de 12%.

Este estudo fornece fortes evidências de que as máscaras cirúrgicas reduzem a covid-19, especialmente em adultos mais velhos que enfrentam taxas mais altas de morte e invalidez se forem infectados.

Por ZAP
22 Setembro, 2021

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1089: Governo diz que há confiança para avançar. O que falta desconfinar?

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/DESCONFINAMENTO

“Há condições sanitárias para avançarmos com confiança para a nova fase”, revelou um membro do Governo. O Conselho de Ministros vai anunciar esta quinta-feira as medidas que só devem entrar em vigor só no dia 1 de Outubro. O plano de desconfinamento apontava para uma nova fase só com 85% de vacinados.

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Portugal continental poderá entrar nos próximos dias na última fase do plano de desconfinamento apresentado pelo Governo no final de Julho. Esta última etapa dependia de o país atingir a meta de 85% da população vacinada contra a covid-19, um objectivo que deverá ser alcançado até ao final do mês, uma vez que, segundo o relatório da Direcção-Geral da Saúde de terça-feira, 83% portugueses já concluíram a sua vacinação.

Esta quinta-feira, o Conselho de Ministros deverá anunciar a entrada na última fase de desconfinamento, já depois de ter ouvido os especialistas na passada quinta-feira na reunião do Infarmed.

“Há condições sanitárias para avançarmos com confiança para a nova fase prevista desde Julho no plano do Governo, mas não queremos qualquer acusação de eleitoralismo”, declarou à agência Lusa um membro do executivo, depois de questionado sobre a razão de as medidas de alívio a aprovar em Conselho de Ministros não entrarem em vigor já às 00:00 de sábado, mas apenas em 1 de Outubro.

Na véspera do Conselho de Ministros que deverá introduzir um dos maiores alívios de restrições dos últimos meses, a ideia no executivo é falar-se em “momento de viragem”, ou “momento de confiança”, mas evitar-se a importação de “slogans” britânicos como “Dia da libertação”.

“Estamos em vias de um momento de viragem, não porque a covid-19 desapareça, mas porque graças à vacinação pode considerar-se a pandemia controlada”, declarou António Costa, na qualidade de secretário-geral do PS, em Valongo, no distrito do Porto, numa alusão às medidas que serão aprovadas esta quinta-feira em Conselho de Ministros.

Assim sendo, o que deverá anunciar o Governo no que diz respeito a mudanças na terceira e última fase do plano de desconfinamento?

De acordo com o plano que tinha sido estabelecido em Julho, restaurantes, cafés e pastelarias deixam de estar sujeitas a um limite máximo de pessoas por grupo, quer no interior quer em esplanadas.

Além disso, terminam os limites de lotação impostos até agora a diversos estabelecimentos e espectáculos culturais, o mesmo acontecendo com os eventos familiares, como casamentos e baptizados.

Os bares e discotecas reabrem actividade habitual, mas mediante apresentação do certificado digital ou de um teste à covid-19 com resultado negativo por parte dos clientes.

A task force que coordena a logística prevê que a vacinação completa atinja os 85% na próxima semana, afinal, mais de 8,5 milhões de pessoas já têm a vacinação completa contra a covid-19, o que faz com que Portugal esteja a apenas dois pontos percentuais de atingir a meta.

Com o país em estado de calamidade, este novo plano entrou em vigor a 1 de Agosto, numa altura em que 57% da população portuguesa já tinham a vacinação completa, mais de 5,8 milhões de pessoas. A segunda etapa do plano estava prevista para o início de Setembro, coincidindo com os 70% da população totalmente vacinada, mas o bom ritmo da vacinação em massa dos portugueses levou o Governo a antecipar em quase duas semanas o levantamento das restrições.

A onda que suspendeu o desconfinamento

Entre maio e Julho deste ano, Portugal assistiu a uma nova onda pandémica, que atirou o país para a zona vermelha da matriz de risco de controlo da pandemia.

Face aos indicadores crescentes da situação epidemiológica, em 24 de Junho, o Governo decidiu que não estavam reunidas as condições para prosseguir o plano de desconfinamento que estava a ser implementado de forma gradual no território continental desde Março.

“Portugal encontra-se claramente na zona vermelha da nossa matriz, pelo que não existem condições para prosseguir o plano de desconfinamento que estava previsto”, afirmou então a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, no final do Conselho de Ministros.

Nessa altura, a incidência de novos casos de infecção por cem mil habitantes a 14 dias estava nos 129,6 e o índice de transmissibilidade do vírus (Rt) nos 1,18 no território continental, estando o país a confrontar-se já com a variante Delta, considerada mais transmissível e que já era responsável por 70% dos casos de infecção registados.

Apesar de estar com um ritmo crescente, apenas 32% da população – cerca de 3,2 milhões de pessoas – tinha a vacinação completa contra a covid-19.

O novo plano que depende do ritmo de vacinação

Passado pouco mais de um mês, a 29 de Julho, o primeiro-ministro apresentou o novo plano de alívio das restrições, constituído por três fases que acompanhavam o ritmo previsto para a vacinação contra a covid-19.

O Governo avançou, assim, para primeira fase do plano, que entrou em vigor a 01 de Agosto, apesar de a taxa de incidência de infecções pelo vírus SARS-CoV-2 por 100 mil habitantes nos 14 dias anteriores estar nos 439,3 casos e o Rt apresentar um valor de 1,01, mas com tendência decrescente.

Na conferência de imprensa, António Costa admitia a possibilidade de antecipar algumas das medidas deste novo plano de desconfinamento, se o ritmo da vacinação fosse mais rápido, o que veio acontecer na fase seguinte, mas também não afastou a necessidade de recuar se a situação epidemiológica se agravasse.

No final de Julho, Portugal já tinha atingido os 57% da população com a vacinação completa, o equivalente a cerca de 5,8 milhões de pessoas que estavam totalmente imunizadas contra o novo coronavírus.

Quais as medidas aplicadas na primeira fase

Ainda em situação de calamidade, a partir de 01 de Agosto as regras passaram a ser iguais em todo o território continental, terminando a aplicação de restrições por concelhos, conforme a evolução da pandemia nesses territórios.

O teletrabalho também passou de obrigatório a recomendado, quando as actividades laborais o permitissem, e deixou de estar em vigor a limitação de circulação na via pública a partir das 23:00.

O público regressou aos recintos desportivos, de acordo com regras definidas pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), os espectáculos culturais passaram a receber espectadores até 66% da sua lotação e os bares ficaram sujeitos às mesmas regras já aplicadas à restauração.

No que respeita ao número de pessoas por mesa nos restaurantes, passou-se a aplicar-se em todo o território continental a regra do máximo de seis pessoas por mesa no interior ou 10 pessoas nas esplanadas.

Mantiveram-se as medidas sanitárias e de saúde pública (confinamento obrigatório, uso de máscaras, controlo da temperatura corporal e realização de testes), bem como as medidas aplicáveis no tráfego aéreo, nos aeroportos e nas fronteiras terrestres, marítimas e fluviais.

Foi aplicada a exigência de apresentação do certificado digital ou de teste negativo para realizar viagens aéreas ou marítimas; aceder a estabelecimentos turísticos e alojamento local; entrar no interior de restaurantes aos fins de semana e feriados; em aulas de grupo nos ginásios, termas e ‘spas’, casinos e bingos, casamentos e baptizados com mais de 10 pessoas, e eventos culturais, desportivos ou corporativos para mais de 1.000 pessoas (em ambiente aberto) ou 500 pessoas (em ambiente fechado).

Quais as medidas aplicadas na segunda fase

A segunda fase do plano de desconfinamento coincidiu com a passagem de Portugal do estado de calamidade para o estado de contingência, cerca de duas semanas antes da data inicialmente fixada de 05 de Setembro.

A antecipação deveu-se ao facto de Portugal ter atingido os 70% da vacinação da população mais cedo do que o previsto.

Nesta altura, o número de novos casos de infecção por 100 mil habitantes estava nos 312 e o Rt apresentava um valor inferior a 1, indicando uma tendência estável a decrescente a nível nacional.

A partir de 23 de Agosto, as regras previstas nesta segunda fase do plano de desconfinamento entraram em vigor, com excepção do fim da obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos, cuja lei vigorou até 12 de Setembro.

Na prática, os restaurantes, cafés e pastelarias passaram a poder ter até oito pessoas (em vez de seis) por grupo no interior dos espaços e até 15 pessoas (em vez de 10) por grupo em esplanadas.

Os eventos, quer de natureza familiar, incluindo casamentos e baptizados, quer os espectáculos culturais, passaram a ter o limite de ocupação de 75%.

Quanto aos espaços comerciais, a lotação passou de cinco para oito pessoas por cada 100 metros quadrados (indicação de distanciamento físico de uma pessoa por cada 12,5 metros quadrados).

Os transportes públicos colectivos deixam de ter limitações de lotação e nos táxis e no transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma electrónica (TVDE) passou a ser possível a utilização do banco dianteiro.

O Conselho de Ministros extraordinário definiu ainda que, a partir de 01 de Setembro, as Lojas de Cidadão passaram a fazer atendimento presencial sem ser preciso recorrer a marcação prévia.

Manteve-se a exigência de apresentação do certificado digital ou de teste negativo para realizar viagens aéreas ou marítimas; aceder a estabelecimentos turísticos e alojamento local; entrar no interior de restaurantes aos fins de semana e feriados; em aulas de grupo nos ginásios, termas e ‘spas’, casinos e bingos, casamentos e baptizados com mais de 10 pessoas, e eventos culturais, desportivos ou corporativos para mais de 1.000 pessoas (em ambiente aberto) ou 500 pessoas (em ambiente fechado).

Diário de Notícias
DN/Lusa
22 Setembro 2021 — 17:21

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1088: DGS confirma 31 surtos activos em creches, ATL e jardins de infância

SAÚDE PÚBLICA/INFECÇÕES/COVID-19

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Portugal registava na segunda-feira um total de 31 surtos activos de covid-19 em creches, centros de actividades de tempos livres (ATL) ou jardins de infância, que resultaram em 232 casos de infecção, confirmou hoje a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com os dados fornecidos pela autoridade de saúde, estes 232 casos de contágio envolvem alunos, funcionários e coabitantes dos mesmos, sendo que alguns já estarão inclusivamente recuperados da doença. Em relação aos agrupamentos de escolas, a DGS adiantou que “apenas foram identificados casos isolados na sequência da política de testagem implementada”.

Comparando o actual número de surtos com o início de 2021, quando as actividades lectivas presenciais ainda decorriam e antes da pior vaga da pandemia no país, durante os meses de Janeiro e Fevereiro, a descida é evidente, pois nesse período chegaram a ser contabilizados 190 surtos nos estabelecimentos escolares.

Além dos surtos em contexto escolar, a DGS divulgou ainda os números relativos aos lares de idosos, onde se verificavam até 20 de Setembro 43 surtos, com um acumulado de 676 casos de covid-19, entre os quais alguns já terão sido dados como recuperados. A situação nestes estabelecimentos residenciais é também melhor face ao início do ano, quando em Fevereiro o número de surtos activos ascendeu a 405 e os infectados eram aproximadamente 12 mil.

Em termos totais, o território continental somava até há dois dias 184 surtos activos, que se traduziram em 1915 casos confirmados. A nível regional, a grande maioria dos 184 surtos estava concentrada na região de Lisboa e Vale do Tejo (100), seguida do Norte (26), Centro (24), Alentejo (22) e Algarve (12).

Lusa

Diário de Notícias
22 set 17:11
Por Nuno Fernandes

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