“A máscara vai passar a ser um acessório, como o relógio”

– Uma afirmação lógica enquanto o bicho andar por cá: “A máscara vai passar a ser um acessório, como o relógio”

SAÚDE PÚBLICA/MÁSCARAS/UTILIZAÇÃO

A obrigação de usar máscara na rua termina este domingo. Mas muitas pessoas vão continuar a usar nos mesmos moldes porque, dizem, não se sentem seguras face à covid-19.

A Margarida, a Susana, a Mafalda e o Baltazar são da margem sul e vieram passar a tarde a Belém. Concordam com o fim da obrigação e vão continuar a usar nos mesmos moldes
© Carlos Pimentel/Global Imagens

Os jardins de Belém enchem-se particularmente aos fins de semana. Aos turistas, juntam-se os residentes no país. A máscara está presente em muitos rostos, dependendo da vontade de quem a usa. Há quem a traga sempre, mesmo quando não há ninguém por perto. Há quem a tire logo que se afasta de ajuntamentos. E assim vai continuar a ser a partir desta segunda-feira, quando o seu uso deixar de ser obrigatório, segundo nos garantem.

Uma família joga Uno, a mãe, o pai e as duas filhas, vivem na margem sul. Sentados no chão, num pano que delimita o seu espaço, estão sem máscara. “Não estamos a usar porque não estamos próximos de ninguém. Há pouco estivemos na fila para os pastéis de nata e usámos. O objectivo é continuar a usar máscara, não é por deixar de ser obrigatória que vou ter um comportamento diferente”, explica a mãe, Susana Jordão, 36 anos, técnica de amostras. Mas faz questão de sublinhar que concorda com o facto de deixar de ser obrigatória.

O pai, Baltazar Silva, 42 anos, empregado na hotelaria, aprova. “Tão rápido não nos vamos livrar da máscara, vai fazer parte das nossas vidas”.

As filhas são a Mafalda, de 9 anos, e a Margarida, de 4, não estavam abrangidas pela obrigatoriedade do uso da máscara (só a partir dos 10 anos), mas os pais querem que a usem em algumas situações. Justifica a Susana. “É uma questão de segurança. A vacina não é 100 % eficaz, temos de continuar com os cuidados. A máscara vai passar a ser um acessório, como o relógio”.

Vigorava desde Outubro

A obrigação de usar máscara na rua vigora desde 26 de Outubro de 2020, através da lei nº 62-A, aprovada na Assembleia da República. “É obrigatório o uso de máscara por pessoas com idade a partir dos 10 anos para o acesso, circulação ou permanência nos espaços e vias públicas sempre que o distanciamento físico recomendado pelas autoridades de saúde se mostre impraticável”.

Maria Odete Coelho só não usa a máscara quando está na sua casa
© Carlos Pimentel/Global Imagens

E tem vindo a ser renovada pelos deputados, o que não aconteceu até este domingo, dia 12, em que caduca. Mas, com quem o DN falou, isso não é motivo para não a continuarem a usar.

Maria Odete Coelho passa apressada, mora no Cacém e já fez o passeio do dia para “aliviar um bocadinho a cabeça”. Tem o passe e, de vez em quando, dá “uma voltinha”. Não tem ninguém por perto, mas não tira a máscara. “Vai deixar de ser obrigatória mas vou continuar a usar se Deus quiser, tenho medo destas coisas”.

Tem 79 anos e não saiu de casa nos períodos de confinamento. “Não saia, punham-me as compras à porta e, felizmente, não apanhei covid, a minha filha e o meu neto apanharam. Vou continuar a respeitar as medidas”.

Os casais Manuel e Helena Marcelino (esquerda) e Ivone e Manuel Felício resignaram-se ao facto da máscara fazer parte do dia-a-dia, mas só quando é necessário
© Carlos Pimentel/Global Imagens

Dois casais, amigos de longa data e dos passeios, conversam sentados num banco. Ninguém está com máscara. “Em sítios com muita gente, usamos, aqui não se justifica”, diz Ivone Felício, 68 anos. Assegura: “O ano passado não me constipei e este ano também não quero constipar. E a partir desta pandemia, vão surgir outras, temos que nos mentalizar. Desde os 65 anos que tomo a vacina da gripe, vai ser mais uma”.

Brinca o marido, Manuel Felício, 73 anos, marceneiro: “Eu sempre usei máscara, mas no trabalho, agora, tem que ser. O mundo está complicado“. O casal vive na Buraca.

No lado oposto, está o Manuel Marcelino, 72 anos, motorista, pouco falador. Mas a mulher, Helena Marcelino, 66 anos, que trabalhou num laboratório de fotografia, e os amigos espicaçam-no a contar a sua história. “Andava sempre cheio de dores na garganta, chegava a Outubro e era certo, lá vinha a gripe. Deixei de beber bebidas geladas por causa disso, bebo cerveja natural, imagine. Veio a covid, todas estas medidas, e nunca mais tive nada, foi-se a gripe e as dores de garganta”.

Em resumo, sintetiza a Helena, “Não é pelo facto de deixar de ser obrigatório que vamos deixar de usar máscara. Isto ainda não está a 100%”

Junto à fonte da Praça do Império, vários imigrantes do Bangladesh gozam o dia de folga. Moram na zona do Martim Moniz, aproveitam para apreciar outra zona de Lisboa. Desconheciam que a máscara ia deixar de ser obrigatória, recebem a notícia com alegria, mas também eles dizem que a vão continuar a usar em determinadas situações.

Rakeb e Sarker recebem a noticia do fim da obrigação com agrado, mas vão manter as cautelas nos espaços fechados
© Carlos Pimentel/Global Imagens

Sarker Aftiruddin, 32 anos, é quem vive em Portugal há mais tempo, chegou em 2016. Tem uma loja no Centro Comercial do Martim Moniz, o próximo passo é adquirir a nacionalidade portuguesa, o que pode fazer após cinco anos de possuir o título de residência. “Na rua, vou andar sem máscara, agora, nas lojas, nos transportes, no shopping, vou continuar a usar“.

Rakeb Hossain, 29 anos, motorista da Uber Eats, queixa-se de muita desinformação sobre o tema, de nem sempre terem a noção do que se está a passar no país. O grande problema é que não fala português — chegou a Portugal em finais de 2019. Vê com agrado o fim da obrigação. “Estamos todos vacinados, a vacina tem que nos proteger, não podemos usar máscara para toda a vida, muito menos ao ar livre. Agora, no interior dos edifícios e em ajuntamentos, concordo que devemos usar. Mas ainda bem que deixa de ser obrigatória, é muito incómoda”.

Petição contra uso no recreio

Uns metros à frente já é zona residencial. Rosário Leal, 69 anos, psiquiatra reformada, é peremptória: “Vou continuar a usar a máscara, não me interessa que deixe de ser obrigatória. Confio nos cientistas, não nos políticos. Vou usar quando entender necessário, neste momento não a uso porque estou com a família e não há ninguém por perto”.

José concorda com a mãe, Maria, quando este luta pelo fim das máscaras no recreio
© Carlos Pimentel/Global Imagens

A família que a acompanha é a filha e os netos. Maria Vasconcelos, 44 anos, técnica, é da mesma opinião. “Vou continuar a usar a máscara quando estiver em ajuntamentos”. Outra coisa é a obrigação das crianças usarem a máscara nos recreios. “Não me choca que a usem na sala de aula, choca-me que a usem ao ar livre. Se há determinados eventos, espectáculo, onde não é necessário usar a máscara, porque é que as crianças são obrigadas a usar no recreio ?” O filho, José Rosa, de 11 anos, concorda.

Maria é uma das 2020 pessoas que subscreveu a petição “Contra o uso da máscara no recreio”, considerando os proponentes que “protege apenas os adultos”. Fundamentam: ” É incongruente com a liberdade dos adultos para circular na rua sem máscara nesta fase da pandemia, sendo que as crianças passam já – obrigatoriamente – grande parte do seu dia de máscara na sala de aula”.

Sublinham que “prejudica não só a saúde física como a capacidade de integração, de interacção e de socialização, com todas as consequências psicológicas que daí advêm.”

Diário de Notícias
Céu Neves
12 Setembro 2021 — 20:44

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1064: Máscara deixa de ser obrigatória na rua. Uso recomendado em aglomerados

– Quer dizer… fora dos “aglomerados”… não existe o bicho… apenas e só nos “aglomerados” é que ele mora…!!! ‘Tá bem! O uso de máscara é uma protecção individual e, concomitantemente, de terceiros com quem nos cruzamos. E numa PANDEMIA MORTAL como a que (ainda) estamos a viver, o uso ou não da máscara de protecção não pode, não deve ser arbitrária e ao gosto de cada um a não ser dos acéfalos indigentes intelectuais que sempre cagaram nas regras sanitárias do uso de máscaras e no distanciamento físico em grupos pequenos ou numerosos. Ainda estamos nesta “onda” pandémica:

– 0.911 – 12.09.2021 – 8 mortes
– 1.223 – 11.09.2021 – 10 mortes
– 1.323 – 10.09.2021 – 7 mortes
– 1.408 – 09.09.2021 – 10 mortes
– 1.778 – 08.09.2021 – 10 mortes
– 1.251 – 07.09.2021 – 6 mortes
– 0.663 – 06.09.2021 – 12 mortes

Total da semana – 8.557 infectados e 63 mortes

Quem quiser que se MATE… mas não CONTAGIE quem quer VIVER…!!!

SAÚDE PÚBLICA/MÁSCARAS/”LIBERTAÇÃO”

Uso obrigatório de máscara durou 318 dias e chega ao fim esta segunda-feira, dia em que caduca o último diploma aprovado pelo parlamento e promulgado pelo Presidente da República.

© Artur Machado / Global Imagens

O uso de máscara no exterior deixa de ser obrigatório a partir desta segunda-feira, passando a ser facultativo e recomendado em algumas situações, como os aglomerados de pessoas.

Esta obrigação durou no total 318 dias, desde a aprovação da lei, a 28 de Outubro de 2020, em plena pandemia de covid-19, e foi sendo sucessivamente renovada pelo parlamento, o que não acontecerá agora.

Assim, o fim do uso obrigatório de máscaras em espaços públicos exteriores acontece no dia em que caduca o último diploma aprovado pelo parlamento e promulgado pelo Presidente da República, a 11 de Junho, por um período de 90 dias, não tendo a Assembleia da República proposto a sua renovação.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) avançou à Lusa que está a rever a orientação relativa à utilização de máscaras, que passam a ser facultativas no exterior e recomendadas em algumas situações, que reúnam aglomerados de pessoas.

“A orientação relativa à utilização de máscaras, que está a ser revista, irá no sentido de deixar de recomendar a utilização universal de máscaras no exterior, que poderá ser utilizada de forma facultativa”, segundo a DGS.

No entanto, salienta que, em “situações especiais, nomeadamente aglomerados previsíveis ou potenciais de pessoas, contextos específicos e situações clínicas particulares”, a máscara irá ser recomendada.

Numa audição na quarta-feira, no parlamento, a pedido do PSD, sobre a obrigatoriedade das máscaras, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, apontou como excepções para a continuação do uso de máscara o recreio nas escolas, assim como em aglomerados populacionais e em eventos em espaços exteriores.

“A transmissão indirecta do vírus é por acumulação de aerossóis e obviamente essa via é muito menos eficaz no exterior do que no interior. De qualquer maneira, a recomendação vai no sentido de que, em aglomerados e em contextos especiais”, a máscara deve ser utilizada, avançou Graça Freitas na audição na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença covid-19.

A Direcção-Geral da Saúde faz recomendações sobre o uso de máscara e cabe à Assembleia da República determinar o seu uso obrigatório.

O diploma sobre a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos exteriores foi renovado três vezes pelo parlamento.

Por sua vez, a Associação de Médicos de Saúde Pública defende a continuidade do uso de máscara para prevenir a covid-19 e a gripe, e haver um inverno “mais controlado”, permitindo ao SNS retomar o atraso na actividade assistencial.

Em declarações à agência Lusa, o presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Gustavo Tato Borges, afirmou que não existe uma data certa para deixar de se usar a máscara.

“A Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública continua a sugerir que, especialmente nesta fase de inverno em que vamos entrar, a máscara continue a ser um equipamento de protecção individual utilizado por todos ou quase todos de maneira a que nos possamos proteger, não só da covid-19, mas também da gripe”, defendeu Gustavo Tato Jorge.

Diário de Notícias
Lusa
12 Setembro 2021 — 15:11

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