1062: Esclerose múltipla associada a infecção na adolescência

SAÚDE PÚBLICA/ESCLEROSE/ADOLESCÊNCIA

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Um novo estudo identificou uma associação entre o desenvolvimento de esclerose múltipla e infecções graves durante a adolescência.

A esclerose múltipla (EM) é mais frequentemente diagnosticada entre os 20 e os 50 anos. Certos genes aumentam o risco de se sofrer desta doença do sistema nervoso central, mas os cientistas ainda estão a tentar entender o que é que a provoca.

Um antigo estudo descobriu que a pneumonia na adolescência está associada a um risco elevado de esclerose múltipla, por isso, uma equipa de cientistas decidiu investigar se outros tipos de infecção estão associados à doença.

Os autores tiveram que ter cuidado, porém, porque as infecções podem ser uma consequência da EM e não o contrário. Além disso, pode levar de cinco a dez anos, ou até mais, entre o início do processo da doença e a pessoa apresentar os primeiros sintomas, que incluem dormência e formigueiros, rigidez, dificuldade de equilíbrio, problemas de visão e fadiga.

Portanto, tiveram que tomar medidas extra para ter a certeza de que as infecções tinham ocorrido antes de qualquer manifestação de doença relacionada à esclerose múltipla.

Para o estudo, publicado na revista Brain, os autores usaram os registos de saúde de quase 2,5 milhões de pessoas nascidas na Suécia entre 1970 e 1994. Pouco mais de 4.000 foram diagnosticadas com EM após os 20 anos de idade. Entre este grupo, 19% tinham tido uma infecção diagnosticada num hospital entre o nascimento e os dez anos de idade e 14% entre os 11 e 19 anos.

Descobriu-se que a maioria das infecções antes dos 11 anos não estava associada a um diagnóstico posterior de EM. Em contraste, as infecções diagnosticadas num hospital (indicando que são relativamente graves) entre as idades de 11 e 19 anos foram consistentemente associadas a um risco elevado de desenvolver EM.

Nem todos os tipos de infecção foram associados à EM subsequente, mas uma descoberta surpreendente é que as infecções do sistema nervoso central aumentaram o risco de EM de forma mais notável. Isto faz sentido, pois os cientistas acreditam que a inflamação no sistema nervoso central pode iniciar o processo auto-imune que causa a esclerose múltipla.

 

As infecções respiratórias na adolescência também foram associadas à EM, aumentando o risco em 51%. Os autores acreditam que, em alguns casos, a infecção e a inflamação nos pulmões podem levar à activação imunológica noutras partes do corpo, incluindo o sistema nervoso central, aumentando assim o risco de inflamação nesse local.

Isto pode explicar como uma infecção pulmonar pode iniciar o processo da doença de EM. Em alternativa, o agente infeccioso pode ter uma influência mais directa no cérebro.

A infecção pelo vírus Epstein-Barr (VEB) está, há muito tempo, associada à esclerose múltipla, por isso era importante garantir que os resultados não incluíam as infecções por VEB.

Após a exclusão das pessoas que já tiveram a forma aguda da infecção por VEB, conhecida como febre glandular, os resultados para as demais infecções permaneceram, enfatizando a importância de vários tipos de infecção na adolescência como riscos para EM.

Para ter ainda mais certeza de que as infecções na adolescência provavelmente antecederam o desenvolvimento assintomático inicial de EM, repetiu-se a análise, mas olhou-se apenas para EM diagnosticada após os 25 anos.

O risco elevado de EM associada a infecções na adolescência manteve-se nas infecções do sistema nervoso central e infecções pulmonares. Houve um mínimo de cinco anos entre a infecção e o diagnóstico de esclerose múltipla — e geralmente mais — indicando que a doença progride lentamente até que haja dano suficiente no cérebro para que os sintomas de esclerose múltipla se desenvolvam.

Período de susceptibilidade elevada

Este estudo fornece evidências adicionais de que a adolescência é um período de elevada susceptibilidade a exposições associadas ao risco de EM e que pode haver muitos anos entre a exposição e o diagnóstico.

Estes resultados ajudam a entender melhor os tipos de exposições que podem aumentar o risco de EM. Pode valer a pena considerar a esclerose múltipla como um diagnóstico potencial em alguém que apresenta sintomas neurológicos, se teve uma infecção grave na adolescência.

O próximo passo será investigar se as pessoas que são geneticamente susceptíveis ao desenvolvimento de EM são mais propensas a ter uma reacção imunológica mais pronunciada a infecções, aumentando a probabilidade de internamento hospitalar.

Vários, mas não todos os tipos de infecções estão associados à EM, particularmente aquelas que podem causar inflamação no sistema nervoso central. Apenas algumas pessoas com infecções relativamente sérias na adolescência desenvolverão EM (na maioria dos casos, muito menos do que 1%), pois outros factores, incluindo susceptibilidade genética, também são necessários para o desenvolvimento da doença.

Por ZAP
9 Setembro, 2021

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1061: “Imunidade híbrida”. Combinação de dois factores cria poderosa resposta imunológica contra variantes

SAÚDE PÚBLICA/IMUNIDADE HÍBRIDA/VACINAÇÃO

Carlos Ramirez / EPA

Ter estado infectado com covid-19 e ter recebido uma vacina de mRNA é uma combinação poderosa que ajuda na criação de anticorpos que fazem com que a pessoa fique imune à doença.

Ser imune à covid-19 pode ser um dos maiores desejos actuais da maior parte da população do mundo – visto que a doença já tirou a vida a milhões de pessoas.

Com o aparecimento das novas variantes, que têm sido caracterizadas pelos especialistas como mais fáceis de propagar, o número de infecções tem sido mais difícil de controlar, mas ainda assim há pessoas que são imunes ao vírus. Afinal, quem é que beneficia desta “imunidade híbrida”?

Um artigo publicado em Junho na revista Science mostra que há humanos que são menos susceptíveis a contrair a SARS-CoV-2: “No geral, a imunidade híbrida parece ser impressionantemente potente”, escreveu Shane Crotty, autor do artigo.

De acordo com o artigo, nos últimos meses, uma série de outros estudos descobriu que algumas pessoas desenvolvem uma resposta imunológica extraordinariamente poderosa contra o SARS-CoV-2 – o coronavírus que causa a covid-19.

Isto deve-se ao facto do seu organismo produzir níveis muito elevados de anticorpos, mas também produzir anticorpos com grande flexibilidade, ou seja, capazes de combater as mais perigosas variantes do coronavírus que circulam no mundo, sendo ainda eficazes contra as variantes que possam surgir no futuro.

“Pode-se dizer que essas pessoas irão estar muito bem protegidas contra a maioria – e talvez todas – as variantes do SARS-CoV-2 que provavelmente teremos de conviver num futuro próximo”, explica Paul Bieniasz, virologista da Universidade de Rockefeller, que ajudou a conduzir alguns dos estudos.

Num estudo publicado no mês passado, Bieniasz e a sua equipa encontraram anticorpos em indivíduos que podem neutralizar fortemente as seis variantes testadas – incluindo a Delta e Beta – bem como vários outros vírus relacionados ao SARS-CoV-2.

“Pode ser um pouco mais especulativo, mas eu também diria que estes indivíduos teriam algum grau de protecção contra os vírus do tipo SARS que ainda não infectaram humanos”, frisou Bieniasz.

Estas conclusões levam-nos a questionar quem são os humanos capazes de criar uma resposta imune tão poderosa. Os especialistas, escreve a NPR, explicam que isto se deve à “imunidade híbrida” que é alcançada quando já se foi infectado com o novo coronavírus e imunizado com uma vacina de mRNA.

“Essas pessoas têm respostas incríveis à vacina“, refere a virologista Theodora Hatziioannou da Universidade Rockefeller, que também ajudou a conduzir vários dos estudos.

“Estas pessoas estão na melhor posição para combater o vírus. Os anticorpos no sangue dessas pessoas podem até neutralizar o SARS-CoV-1, o primeiro coronavírus, que surgiu há 20 anos. E este vírus é muito, muito diferente do SARS-CoV-2”, destaca.

Os anticorpos de pessoas que foram apenas vacinadas ou que só tiveram infecções anteriores por coronavírus eram essencialmente inúteis contra o vírus mutante. No entanto, os anticorpos em pessoas com a “imunidade híbrida” mostraram-se capazes de neutralizá-lo.

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Estas descobertas mostram o quão poderosas as vacinas de mRNA podem ser em pessoas com exposição anterior ao SARS-CoV-2, explica a investigadora.Porém, este “método” híbrido tem uma desvantagem: É que para terem a tão desejada imunidade, os humanos têm primeiro de passar pela doença. “Depois das infecções naturais, os anticorpos parecem evoluir e tornam-se não apenas mais potentes, mas também mais amplos. Assim, tornam-se mais resistentes a mutações dentro do [vírus]”, esclarece a especialista.

Hatziioannou e a sua equipa não consegue garantir que todas as pessoas que estiveram infectadas e, em seguida, tomaram uma vacina de mRNA, terão uma resposta imunológica tão notável, pois os investigadores apenas estudaram o fenómeno em alguns pacientes.

Ainda assim, a investigadora acredita que esta situação seja comum em muitos casos, já que, num estudo com 14 pacientes, todos eles apresentaram os mesmos resultados.

Por outro lado, vários outros estudos reforçam a ideia de que a exposição ao vírus e a administração de uma vacina de mRNA desencadeia uma resposta imunológica excepcionalmente poderosa.

Num estudo publicado no mês passado no The New England Journal of Medicine, os cientistas analisaram anticorpos gerados por pessoas que tinham sido infectadas com o vírus SARS original – SARS-CoV-1 – em 2002 ou 2003 e que receberam uma vacina de mRNA neste ano.

Percebeu-se que estas pessoas também produziram altos níveis de anticorpos e estes poderiam neutralizar uma ampla gama de variantes e vírus semelhantes ao SARS.

Actualmente, as únicas vacinas que utilizam a tecnologia mRNA são da Pfizer e da Moderna.

Este mês, um estudo do Instituto Ricardo Jorge revelou que as vacinas que utilizam a tecnologia mRNA apresentam uma eficácia que pode chegar aos 96% na protecção face à mortalidade da doença, em especial nos idosos.

Por Ana Isabel Moura
10 Setembro, 2021

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1060: O sofrimento não tem hora nem data marcada – mas assinala-se hoje o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

SAÚDE MENTAL/SOFRIMENTO/SUICÍDIO

pics_pd / Pixnio

Neste 18º Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio, o ZAP falou com Mafalda Pedra Soares, vice-presidente da Associação Voz Amiga, sobre o impacto da pandemia na saúde mental e o papel das instituições de apoio voluntário.

Assinala-se hoje mais um Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio, mas para muita gente a dor não tem data marcada e prevalece todos os dias do ano. Em Portugal, suicidam-se três pessoas por dia, em média e segundo os dados do PorData, registaram-se 975 mortes por suicídio no país em 2019, menos 14 do que em 2018.

A nível demográfico, os homens continuam a ser as maiores vítimas do suicídio (74%), de acordo com os números de 2017 do Instituto Nacional de Estatística, ano em que se registaram 1061 mortes no país. No entanto, no mesmo período analisado pelo INE, o suicídio subiu 19% nas mulheres. A nível nacional a idade média foi 59 anos – 59,3 anos para os homens e 58,2 para as mulheres.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 700 mil pessoas suicidam-se todos os anos, o que corresponde a uma pessoa a cada 40 segundos. A OMS aponta que por cada adulto que conseguiu tirar a própria vida, outros 20 tentaram o suicídio. Em 2019, cerca de 77% dos suicídios aconteceram em países de baixo e médio rendimentos e esta foi a 17ª causa de morte mundial, o que equivale a 1,3% de todos os óbitos.

Mas há quem dedique o seu tempo a trazer alívio a quem está a sofrer e Mafalda Pedra Soares é uma dessas pessoas. Voluntária desde 2011, Mafalda é a vice-presidente da linha telefónica SOS Voz Amiga, que foi criada em 1978 e é a mais antiga linha de atendimento em Portugal para quem está a sofrer crises de saúde mental.

“Todas as pessoas que trabalham na associação SOS Voz Amiga, entre a direcção e voluntários que atendem o telefone, são voluntárias. As únicas excepções são as nossas técnicas de saúde mental, que são duas psicólogas que estão ao nosso serviço e que são remuneradas. Temos as nossas profissões e depois tiramos um bocado do nosso tempo para nos dedicar-mos a esta missão”, explica ao ZAP.

Muito se tem falado sobre o impacto da pandemia na saúde mental, com o aumento da ansiedade e da depressão resultantes do isolamento. A SOS Voz Amiga registou um aumento nos pedidos de ajuda – se a média de pedidos por mês antes da covid era de cerca de 600 e com apenas um voluntário por turno, desde o início de 2021 que têm “sempre batido as 1000 ou até 1200” chamadas mensais.

“Um dia não é nunca igual ao outro, nem as estações do ano são iguais às estações do ano anterior. O sofrimento não tem hora nem tem dia e nós não associamos a épocas como o Natal como épocas com maior intensidade de chamadas, mas podemos identificar a pandemia com um ritmo maior de chamadas”, explica Mafalda Pedra Soares, que realça que os voluntários conversam com os apelantes quanto tempo for necessário.

No entanto, apesar do aumento dos pedidos de ajuda com a pandemia, a associação notou também um grande acréscimo no número de voluntários. A vice-presidente explica que apesar de anteriormente trabalharem presencialmente, os voluntários conseguiram passar para o teletrabalho e não pararam de atender chamadas.

Malfada Pedra Soares acredita que “a pandemia em si veio criar um enorme interesse na sociedade por este trabalho”. “Tivemos uma entrada de voluntários a meio da pandemia que reforçou imensamente o grupo como nunca tinha acontecido. Nunca tivemos um grupo de 50 voluntários em atendimento, foi a pandemia que puxou pelo lado solidário das pessoas”, afirma, explicando que passaram de 25 para 52 membros.

Já o perfil dos voluntários é muito variado – entre homens e mulheres de todo o tipo de profissões e idades, estando muitos já reformados. Os candidatos precisam apenas de ter mais de 21 anos porque apesar de serem jovens, a Voz Amiga acredita que “podem ter uma história de vida que seja suficientemente sólida e vasta para que possam atender chamadas graves e exigentes”.

Dada a sensibilidade exigida aos voluntários que dão apoio a pessoas em crise, o processo de selecção é rigoroso. “Primeiro de tudo, à candidatura a partir do nosso site. Uma vez por ano ou a cada dois anos, fazemos uma sessão de informação em que os candidatos são convidados para uma sala onde lhes explicamos o modo de funcionamento do SOS Voz Amiga e aquilo que é pedido a quem vai estar em atendimento”, refere Mafalda ao ZAP.

Se depois da sessão, os candidatos continuarem interessados, segue-se uma “entrevista longa e intensa com uma psicóloga e um voluntário mais antigo” para saberem mais sobre o candidato e avaliarem o seu perfil. Supondo que haja 100 candidatos iniciais, nesta fase do processo já só há 40.

“Depois temos uma reunião sobre os candidatos entrevistados onde falamos seriamente sobre quem conhecemos e consoante a capacidade que a SOS Voz Amiga tem de acolher voluntários nesse ano, o que depende das condições em que estamos a trabalhar, que vemos o número de candidatos que podemos aceitar”, continua a voluntária.

Após a selecção, começa o processo de formação através de reuniões semanais – uma formação sem “manual de instruções com indicações de procedimentos típicos”.

“Nós temos formação contínua relativamente às emoções por que passamos quando estamos a atender os telefonemas. Somos formados para realizar chamadas em que existe contacto humano, em que se fala sobre emoções sem julgar e que criam uma relação pessoal, apesar do anonimato”, afirma Mafalda Pedra Soares.

A SOS Vos Amiga assume-se “a favor da vida, apartidária, sem ideologias e aberta a falar de assuntos difíceis como a morte e o suicídio”.

“O Estado não nos liga nenhuma”

É já a 9 de Outubro que a SOS Voz Amiga celebra 43 anos de existência, mas o caminho não foi sempre positivo e teve os seus percalços. Mafalda Pedra Soares explica que a “boa onda” vivida actualmente nem sempre se verificou e que em 2018 a associação quase deixou de existir por falta de financiamento, tendo perdido a sede onde trabalhava.

“Estávamos na iminência de festejar o nosso 40º aniversário na rua. Tivemos a sorte de dar uma entrevista a um jornal que foi lida por um alto quadro da Altice. Essa pessoa conseguiu o contacto do nosso presidente, o Francisco Paulino, e pô-lo a conversar com a administração da Altice, que nos deu todas as condições para trabalharmos”, recorda.

Apesar da importância do trabalho da associação, os temas pesados com que lida, como a depressão e o suicídio acabam por afastar os patrocínios. Para além da iniciativa privada, a associação depende também de donativos para sobreviver.

“Tivemos uma belíssima surpresa no ano passado quando o Agir lançou uma música cujos proveitos reverteram a nosso favor. O Facebook também fez uma campanha de recolha de fundos que reverteu a nosso favor e assegurou-nos quase um ano de actividade. Há também uma associação de farmacêuticos do Sul que nos apoia e algumas farmácias espalhadas também fazem recolhas de fundos para nós”, revela a vice-presidente.

A saúde mental é também uma questão de saúde pública, mas o Estado não tem dado a mão às associações que estão na linha da frente no combate ao suicídio. No período mais complicado a Voz amiga deixou apelos ao parlamento e à Câmara Municipal de Lisboa, mas foram em vão.

A associação recuperou, mas “não por causa do Estado, infelizmente”. “Se tivéssemos  mais apoio do Estado, poderíamos chegar a mais pessoas e ser uma entidade ainda maior e com intervenção directa na vida das pessoas que se dirigem, por exemplo, ao Serviço Nacional de Saúde. Embora o SOS Voz Amiga esteja indicado no plano nacional de prevenção do suicídio, o Estado ainda não nos ligou muito, o que é pena, mas estamos abertos a ouvir propostas interessantes”, lamenta Mafalda Pedra Soares.

Nos últimos anos, a saúde mental tem sido um tema mais debatido e parece que aos poucos o estigma está a diminuir. Apesar dos homens serem as maiores vítimas do suicídio, a maior parte dos apelantes à SOS Voz Amiga há dez anos eram mulheres – mas esse paradigma tem mudado, um sinal da evolução dos tempos.

“O estigma continua, sem dúvida nenhuma, mas noto um aligeirar. Pode ser feito mais trabalho nos centros de saúde e nas escolas e universidades, com acções bem planeadas”, propõe a voluntária. A associação tem um protocolo com a Escola Superior de Comunicação Social que pretende acabar com os receios dos jovens que precisem de ajuda e realça a importância de haver “programas positivos sobre a saúde mental” nos media.

Este foco nos jovens ganha ainda mais relevância depois do relatório divulgado hoje pela Ordem dos Psicólogos chamado “Vamos Falar sobre o Suicídio” mostrar que esta é a segunda causa de morte entre os jovens em todo o mundo entre os 15 e os 34 anos.

Mafalda Pedra Soares termina com conselhos para quem estiver a sofrer com pensamentos suicidas ou depressão ou conheça alguém nessa situação. “Deve haver logo um profunda interesse nessa pessoa, que passa por observar o que está a correr mal na vida dela e escutá-la com muita atenção, ter paciência. O próximo passo e o mais importante é procurar ajuda profissional“, conclui.

Pode contactar a linha SOS Voz Amiga todos os dias através dos números 213 544 545, 912 802 669 e 963 524 660, entre as 15h30 e a 0h30 e em regime de total confidencialidade e anonimato.

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Adriana Peixoto, ZAP //

Por Adriana Peixoto
10 Setembro, 2021

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1059: Surto em festas em Santa Cruz aumenta para 63 infectados

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/SURTOS/SANTA CRUZ

Os 63 infectados associados às festas em Santa Cruz têm idades entre os 15 e os 25 anos. A Câmara de Torres Vedras alega que “o surto está controlado”.

O surto de covid-19 associado à participação em festas de diversão nocturna na praia de Santa Cruz, no concelho de Torres Vedras, aumentou para 63 infectados, segundo o mais recente boletim epidemiológico deste município.

O surto teve um aumento de 52 para 63 infectados, com idades entre os 15 e os 25 anos, nas últimas 48 horas, e regista os primeiros três recuperados, de acordo com o boletim divulgado pelo município a partir de informação reportada pelas autoridades locais de saúde.

Fonte oficial da Câmara de Torres Vedras explicou que “o surto está controlado”, havendo agora 10 contactos de risco em vigilância activa.

Os casos activos associados têm idades entre os 15 e os 25 anos.

Segundo a mesma fonte, o contágio aconteceu no último fim de semana de Agosto, durante uma festa privada com cerca de 60 pessoas e em festas ocorridas em pelo menos três bares de diversão nocturna, que se mantêm abertos, uma vez que não há funcionários afectados.

Os primeiros casos foram detectados, no início dessa semana, entre um grupo de amigos que se juntaram na praia e na piscina e que frequentaram um bar.

Contagiaram depois outros cidadãos que, por sua vez, infectaram outros em festas ocorridas em pelo menos outros dois bares de diversão nocturna, de acordo com a investigação efectuada pelas autoridades de saúde aquando do inquérito epidemiológico.

Desde o início da pandemia, Torres Vedras, no distrito de Lisboa, contabiliza 6.985 casos confirmados, dos quais 161 estão activos. Outras 6.648 pessoas recuperaram e 176 morreram, de acordo com o boletim epidemiológico.

A covid-19 provocou pelo menos 4.593.164 mortes em todo o mundo, entre mais de 222,46 milhões de infecções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 17.836 pessoas e foram contabilizados 1.052.127 casos de infecção confirmados, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.

Diário de Notícias
Lusa
10 Setembro 2021 — 13:10

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1058: DGS vai deixar de recomendar utilização universal de máscaras no exterior

– Não preciso que a governança ou a DGS me digam se devo ou não de usar máscara onde e quando. Já aqui escrevi que enquanto os números de infectados forem os mesmos, parecidos ou superiores aos das últimas semana, este jovem não vai, certamente, deixar de usar SEMPRE a máscara no exterior, seja recomendada ou não a sua utilização. A pandemia ainda não acabou, o bicho continua por cá a expandir as suas variantes.

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/MÁSCARAS

José Sena Goulão / Lusa

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) esclareceu, esta quinta-feira, que o uso de máscaras no exterior passa a ser facultativo, com excepções de situações que reúnam aglomerados de pessoas em que passa a ser recomendada.

“A Orientação relativa à utilização de máscaras, que está a ser revista, irá no sentido de deixar de recomendar a utilização universal de máscaras no exterior, que poderá ser utilizada de forma facultativa”, refere a DGS numa resposta enviada à agência Lusa.

No entanto, salienta, “serão consideradas situações especiais, nomeadamente aglomerados previsíveis ou potenciais de pessoas, contextos específicos e situações clínicas particulares. Nestes casos, a máscara irá ser recomendada“.

Esta quinta-feira, na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, salientou que as recomendações da DGS vão influenciar decisões sobre o uso de máscara, cuja obrigatoriedade de utilização nos espaços públicos cessa formalmente no domingo.

Sobre a aparente indefinição em torno da utilização da máscara de protecção contra a propagação da covid-19 no recreio das escolas, a ministra remeteu o esclarecimento das dúvidas para o Ministério da Educação e para a DGS, ao notar que existe “uma estrutura de acompanhamento” que reúne as duas esferas, tal como em 2020.

“O referencial é conhecido e cabe agora à DGS e ao Ministério da Educação dar resposta às dúvidas”, notou.

O referencial remete para a orientação 005/2021 sobre o uso de máscara, que a DGS está a rever, e que recomenda que “qualquer pessoa com 10 ou mais anos de idade, em espaços interiores (como supermercado, farmácia, lojas ou estabelecimentos comerciais, transportes públicos) ou exteriores (como parques, jardins, ruas), deve utilizar máscara comunitária certificada ou máscara cirúrgica”.

Nos estabelecimentos de ensino, esta medida aplica-se apenas a partir do 2.º ciclo do ensino básico, independentemente da idade dos alunos, refere a DGS.

“Nas crianças com idade entre seis e nove anos, e para todas as que frequentam o 1.º ciclo do ensino básico independentemente da idade, a utilização de máscara comunitária certificada ou máscara cirúrgica é fortemente recomendada, como medida adicional de protecção, em espaços interiores ou exteriores elencados”, lê-se na orientação, que não recomenda o uso de máscara nos menores de cinco anos.

Numa audição na quarta-feira no Parlamento, a pedido do PSD, a directora-geral da Saúde, apontou como excepções para a continuação do uso de máscara o recreio nas escolas e eventos em espaços exteriores.

Recomendação de uso de máscara nos recreios cria dúvidas na comunidade escolar

Depois da Directora-Geral de Saúde ter referido a recomendação do uso de máscara nos recreios das escolas, a comunidade escolar…

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ZAP // Lusa

Por Lusa
9 Setembro, 2021

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