1036: Variante Delta não provoca casos mais graves nas crianças

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/CRIANÇAS/VARIANTE DELTA

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A variante Delta não causa casos mais graves de covid-19 em crianças e adolescentes em comparação com outras variantes, indicam os primeiros dados divulgados sexta-feira pelas autoridades de saúde norte-americanas, noticiou a AFP.

A agência noticia refere que as preocupações com as consequências da variante Delta nos mais jovens têm aumentado nas últimas semanas nos Estados Unidos, face ao número crescente de crianças hospitalizadas infectadas com aquela variante.

Os Centros de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC), a principal agência federal de saúde pública dos Estados Unidos, analisou dados de pacientes hospitalizados com covid-19 em 99 condados de 14 Estados, cobrindo cerca de 10% da população norte-americana.

Em particular, aquela agência federal comparou o período do início de Março a meados de Junho com o período de meados de Junho até final de Julho, quando a variante Delta tornou-se dominante nos EUA.

Entre esses dois períodos, a taxa de hospitalização de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, na realidade, aumentou cinco vezes.

Mas “a proporção de crianças e adolescentes hospitalizados por doença grave”, por exemplo com admissão em cuidados intensivos, “era semelhante antes e durante o período em que Delta era dominante”, conclui o estudo.

Em detalhe, das 3.116 crianças e adolescentes hospitalizados nos três meses e meio antes da variante Delta, cerca de 26% foram internados em terapia intensiva, 6% foram colocados num ventilador e menos de 1% morreu. Depois com a variante Delta, de 164 hospitalizações registadas num mês e meio, cerca de 23% foram internados em cuidados intensivos, 10% colocados num ventilador e menos de 2% morreram.

“As diferenças entre os dois períodos não são, portanto, estatisticamente significativas”, o entender dos especialistas da CDC.

O CDC nota, no entanto, que o número de crianças com casos graves da doença foi reduzido entre meados de Junho e o final de Julho, limitando assim a relevância das comparações feitas.

Os analistas sublinham que os dados precisam de continuar a ser avaliados de perto, no futuro próximo.

O trabalho realizado também demonstra ainda que as vacinas protegem bem os adolescentes contra a variante Delta, pois as taxas de hospitalização foram cerca de 10 vezes maiores para adolescentes não vacinados do que para aqueles vacinados durante o período de predominância do Delta.

Nos EUA, os adolescentes podem receber injecções da vacina Pfizer a partir dos 12 anos.

Além disso, um segundo estudo publicado hoje mostra que a vacinação de adultos tende a proteger as crianças da contaminação.

Em análise estiveram as visitas às urgências, bem como o número de hospitalizações em todo o país, durante o mês de Agosto.

Nos Estados com a menor cobertura de vacinação/imunização para a população em geral, o número de atendimentos de urgência por crianças e adolescentes foi três vezes maior do que nos Estados altamente imunizados, e o número de internamentos foi quase 4 vezes maior.

“Mais crianças são infectadas com covid-19 porque a doença está a circular mais”, justificou a directora do CDC, Rochelle Walensky, referindo-se aos dois estudos agora divulgados.

Segundo Walensky, os estudos demonstram que “a vacinação funciona” e, por outro, que “não houve aumento da gravidade da doença em crianças”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Setembro, 2021

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1035: Mais de 29 mil pessoas vacinadas foram infectadas. 309 morreram

– Escrevia hoje a colunista Joana Petiz num seu artigo de opinião: “Vacinas e testes servem de quê, afinal? Aparentemente, para muito pouco. Pelo menos num país em que se faz de conta que se governa para melhorar.” A resposta é dada no artigo a seguir. Por vezes mais vale falar da chuva, do Sol, do calor…

SAÚDE PÚBLICA/VACINAÇÃO/INFECTADOS/MORTES

Número de pessoas com a vacinação completa que foram infectadas representa 0,4% do total de vacinados.

© JOSÉ COELHO/LUSA

Mais de 29 mil pessoas com a vacinação completa contra a covid-19 foram infectadas com o vírus SARS-Cov-2, o que representa 0,4% do total de vacinados, e 309 morreram, adiantaram esta sexta-feira as autoridades de saúde.

“Desde o início do processo de vacinação contra a covid-19, foram identificados 29.373 casos de infecção por SARS-CoV-2 entre 6.824.392 indivíduos com esquema vacinal completo contra a covid-19 há mais de 14 dias (0,4%)”, indica o relatório das “linhas vermelhas” da pandemia da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Segundo o documento, entre as pessoas re-infectadas, mais de 400 foram internadas com diagnóstico principal ou secundário de covid-19, sendo que mais de metade — 59% – tinham mais de 80 anos.

“Entre os 29.373 casos de infecção por SARS-CoV-2 em pessoas com esquema vacinal completo contra a covid-19 há mais de 14 dias, registaram-se 309 óbitos por covid-19 (1,1%), dos quais 239 óbitos (77,3%) em pessoas com mais de 80 anos”, referem a DGS e o INSA, que avançam ainda que, entre 01 e 30 de Junho, os “casos com esquema vacinal completo apresentaram um risco de hospitalização cerca de cinco a dez vezes inferior aos casos não vacinados”.

De acordo com os mesmos dados, em Agosto, faleceram 96 pessoas (50%) com a vacinação completa, 63 (40%) não vacinadas e 18 óbitos (10%) com vacinação incompleta.

“A população mais vulnerável encontra-se quase totalmente vacinada, pelo que é esperado que a proporção de casos com esquema vacinal completo no total de óbitos aumente. No entanto, o risco de morte, que é medido através da letalidade por estado vacinal, é três a sete vezes menor nas pessoas com vacinação completa do que nas pessoas não vacinadas, de acordo com os dados de Julho, mês com os dados consolidados mais recentes”, assegura o relatório.

As “linhas vermelhas” concluem ainda que se regista em Portugal uma tendência estável a decrescente na pressão sobre os serviços de saúde e na mortalidade por covid-19.

O número de pessoas internadas em cuidados intensivos no continente correspondeu a 55% do valor crítico definido de 255 camas ocupadas, inferior aos 49% da semana anterior, com 140 doentes nestas unidades na quarta-feira.

No que se refere aos testes, a proporção de positivos foi de 4% (na semana anterior tinha sido de 4,4%), tendo-se registado uma diminuição do número despistes nos últimos sete dias — 346.320 contra os 369.637 feitos na semana anterior.

Relativamente à incidência de novas infecções, a taxa a 14 dias está nos 294 casos por 100 mil habitantes em Portugal, com uma tendência estável, sendo o grupo etário dos 20 aos 29 anos o que apresenta valores mais elevados, com 695 casos por 100 mil habitantes.

“A mortalidade específica por covid-19 registou um valor de 14,6 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, que corresponde a um decréscimo de 5% relativamente à semana anterior. Este valor é inferior ao limiar de 20 em 14 dias por um milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC)”, refere o relatório.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 17.772 pessoas e foram contabilizados 1.042.144 casos de infecção confirmados, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e actualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Setembro 2021 — 19:39

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