335: Se o coronavírus chegar a Portugal é este laboratório que vai detectá-lo

 

SAÚDE/EPIDEMIAS

É no laboratório de bio-segurança de nível 3 que se faz a inactivação do vírus. Está a ser usado este laboratório de alta segurança por precaução.

O Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, faz a vigilância da actividade gripal em Portugal. E está no centro das operações para conter uma epidemia do novo coronavírus, detectado pela primeira vez em Dezembro último, na cidade chinesa de Wuhan. Fomos perceber como tudo funciona.

Texto de Catarina Pires | Fotografia de Álvaro Isidoro/Global Imagens

O mundo todo não fala de outra coisa: o novo coronavírus. Mais depressa do que o dito, espalhou-se o medo de uma epidemia e das suas consequências. Mas no quinto piso do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, onde funciona o Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe (LNRVG), reina a calma, na manhã em que se souberam os resultados das análises às vinte pessoas chegadas da China na noite do último domingo e colocadas em isolamento (voluntário) no Hospital Pulido Valente, em Lisboa.

As vinte amostras biológicas chegaram na madrugada de segunda-feira e em cinco horas o laboratório tinha os resultados: negativos. Na quarta-feira seguinte, soube-se que outros dois casos suspeitos surgidos entretanto eram também falso alarme.

No comprido corredor para onde dão as salas partilhadas pelos vários laboratórios que integram o Laboratório Nacional de Referência de Infecções Respiratórias, a bióloga Raquel Guiomar, responsável pelo LNRVG, explica o caminho “de marcha em frente” que as amostras fazem desde que chegam até se saber o resultado.

Raquel Guiomar é a responsável do Laboratório Nacional de Referência do Vírus da Gripe e Outros Vírus Respiratórios do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.

“São de doentes ou casos previamente validados pela linha de médicos da Direcção-Geral da Saúde, não é uma análise que se faça a qualquer pessoa que se dirija aqui ao instituto. As amostras, colhidas do trato respiratório superior e inferior, dependendo da sintomatologia e do que o clínico considerar importante colher, são-nos enviadas devidamente acondicionadas numa embalagem tripla, para que não haja risco nem para quem as transporta nem para quem as recebe. O primeiro passo é inactivar o vírus – adicionamos um reagente que vai impedir que o vírus seja infectante, ou seja, provoque doença -, mantendo no entanto todo o material genético intacto para que a detecção seja possível pela metodologia utilizada, que no fundo se trata de fazer cópias múltiplas do genoma do vírus para poder detectá-lo, caso esteja presente.”

A inactivação é feita no P3, um laboratório de bio-segurança de nível 3, que só é utilizado em situações muito específicas e que está a ser agora usado para o novo coronavírus, por precaução, embora a Organização Mundial da Saúde não o exija. É uma sala de pressão negativa, o que implica que nenhuma partícula de aerossol sai dali para o exterior. O objectivo é proteger o operador, que usa um fato e uma máscara especiais, mas também impedir qualquer contaminante, que comprometa a amostra.

Daí passa-se para a sala de extracção, que tem equipamentos que retiram da amostra do doente qualquer componente que possa interferir com o procedimento de detecção e extraem os ácidos nucleicos, ou seja, o genoma do vírus, concentrando-o de forma que nos passos seguintes esteja lá o material genómico do vírus para proceder à PCR – Reacção de Polimerase em Cadeia, que é então a multiplicação de cópias do genoma do vírus, que, depois de extraído, é conservado no frigorífico enquanto numa sala completamente limpa, em que apenas entram reagentes e material esterilizado, se prepara a mistura de reagentes, sem contaminantes, que depois são trazidos para uma outra sala onde se junta ao que foi extraído da amostra do doente para fazer a detecção numa máquina chamada termociclador.

“Esta é uma técnica utilizada para outros agentes, bactérias, parasitas, fungos, vírus como o da gripe e outros vírus respiratórios e permite detectar nem que seja uma pequena quantidade do genoma do vírus da amostra. Depois de juntar a mistura de reagentes ao que foi extraído da amostra é colocado no termociclador que vai variar temperaturas de forma cíclica para que a reacção aconteça e ao fim de uma hora e meia validamos a corrida através dos controlos positivos e negativos e depois então fazemos uma análise faseada, amostra a amostra, doente a doente, de forma que se conclua se está lá o agente ou não. A qualidade da amostra é também controlada através da amplificação de um gene humano para evitar qualquer falso negativo. Vemos se realmente está lá material genético do doente e dessa forma garantimos que a colheita foi bem feita e que todo o procedimento nestas fases – extracção, amplificação e detecção – correu bem.”

Desde que chega a amostra até ao resultado, a média é de cinco horas, um período de tempo que variará de acordo com o número de amostras a analisar. “Cinco horas é o tempo médio agora, quando estamos numa fase de contenção, em que os doentes sinalizados para investigação laboratorial ainda são poucos e esporádicos.”

Actividade da gripe tem sido baixa a moderada

O Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe e outros vírus respiratórios faz parte das redes europeia e mundial de vigilância da gripe da Organização Mundial da Saúde desde 1953. Todas as semanas emite um relatório epidemiológico relativo à actividade gripal – que tem sido baixo a moderado em Portugal – e os dados que recolhe são fundamentais para o esclarecimento da duração e dispersão das epidemias anuais do vírus da gripe e para avaliar a contribuição de diferentes vírus para a morbilidade e mortalidade. Os vírus da gripe partilhados com o laboratório de referência da região europeia contribuem para a selecção anual das estirpes do vírus da gripe que integram a vacina antigripal, para a detecção de vírus da gripe emergentes e para a monitorização das resistências aos antivirais.

“O maior trabalho do laboratório é a vigilância da gripe, para a qual utilizamos exactamente o mesmo procedimento, com a única diferença de que não fazemos a inactivação do vírus num laboratório de bio-segurança de nível 3. Analisamos cerca de mil amostras por época, que vai de Outubro a Maio, e fazemos também a vigilância de outros vírus respiratórios que circulam no mesmo período do ano”, explica Raquel Guiomar, que esclarece que neste ano a actividade gripal está a ser baixa a moderada, não tendo atingido uma intensidade tão elevada como na época passada. “Mas estas também são características de épocas em que o vírus influenza B é o predominante”, acrescenta.

Quanto ao coronavírus, a técnica superior de saúde é cautelosa. “É um novo vírus que tem características genéticas que nunca tinham sido detectadas anteriormente, distingue-se dos outros coronavírus que já tinham sido detectados no homem, o que é preocupante, mas até agora – e as informações estão a ser actualizadas a todo o momento -, comparando com as situações epidemiológicas dos outros, parece ter uma taxa de mortalidade mais baixa. O que pode estar subjacente a este novo agente é que num período de tempo curto pode haver muitas pessoas a ficar doentes e a precisar de cuidados de saúde, que é o que se está a viver no epicentro desta epidemia: num período curto de tempo muitas pessoas adoeceram e precisarão de cuidados de saúde. Parece que este vírus se adaptou bem à população humana e por isso é que é tão eficaz na transmissão pessoa a pessoa e poderá ser expectável um aumento de casos a ser detectados. Na Europa, devido à preparação laboratorial e epidemiológica, ainda estamos numa fase de contenção em que a prioridade é detectar casos isolados importados e conter a transmissão à população para evitar o início de qualquer cadeia de transmissão”.

Conhecer os vírus para os combater

Além dos vírus da gripe, o LNRVG, estuda outros vírus respiratórios, como o sincicial respiratório, que é muito frequente e está associado às bronquiolites das crianças, para o qual se está a trabalhar para criar uma vacina, que poderá chegar nos próximos anos, ou o rinovírus, o parainfluenza, o metapneumovírus, o adenovírus, alguns enterovírus de infecção respiratória. “É desta forma que durante a época da gripe tentamos perceber, naqueles casos em que os sintomas parecem gripe mas o diagnóstico é negativo, qual é o agente [vírus respiratório] que está associado a essa síndrome gripal”, explica Raquel Guiomar, que dá conta de que, além da análise e da vigilância, o laboratório faz também a monitorização da susceptibilidade dos vírus aos antivirais para que os médicos possam saber quais usar.

“Se for detectada resistência, podemos também detectar se é pontual ou se decorre de algo que se está a difundir pela população. Fazemos também a caracterização genética dos vírus, que é hoje uma metodologia largamente utilizada para estudar os agentes não só para o vírus da gripe como para o sincicial respiratório e agora para o coronavírus, com a colaboração de colegas da unidade de sequenciação genética e os da bioinformática, integrando toda esta informação com a equipa da epidemiologia para se consiga ter uma vigilância integrada”, explica a responsável.

O estudo genético e a partilha das sequências genéticas que tem ocorrido quase em tempo real nesta situação – estamos a falar de um vírus que nem tem um mês – será a base para se conhecer a origem, que ainda não está bem determinada. “A sequenciação genética, além de dar a conhecer a origem e a evolução do vírus, também ajudará a criar uma vacina. É nisto que os cientistas estão a trabalhar e há a esperança de que em alguns meses esta possa ser uma realidade”, diz a especialista.

life

Por Catarina Pires

 

334: Parlamento aprova fim das taxas moderadoras nos centros de saúde

 

SAÚDE/TAXAS

Proposta do BE prevê que taxas moderadoras deixem de ser cobradas com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2020.

O primeiro-ministro, António Costa, intervém no debate parlamentar de discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), esta tarde na Assembleia da República, em Lisboa, 09 de Dezembro de 2020. MIGUEL A. LOPES/LUSA
© MIGUEL A. LOPES/LUSA

As taxas moderadoras vão acabar nos cuidados de saúde primários. A medida consta de uma proposta do Bloco de Esquerda aprovada esta noite, durante as votações na especialidade (artigo a artigo) que estão a decorrer na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças.

A medida estabelece que, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2020 “o Governo procede à dispensa da cobrança de taxas moderadoras nas consultas de cuidados de saúde primários”.

A partir de 1 de Setembro de 2020 as taxas moderadoras deixam também de ser pagas nos “exames complementares de diagnóstico e terapêutica prescritos no âmbito dos cuidados de saúde primários e realizados nas instituições e serviços públicos de saúde”. E, a partir de 1 de Janeiro de 2021 “em todos os exames complementares de diagnóstico e terapêutica, prescritos no mesmo âmbito”, ou seja, nos centros de saúde.

Em actualização

DIário de Notícias

Susete Francisco
05 Fevereiro 2020 — 23:14

FINALMENTE…!!!

 

333: Uma simples constipação pode ser mortal (e há pessoas em maior risco do que outras)

 

SAÚDE

A maioria das pessoas sabe que a gripe pode matar. Porém, uma simples constipação também pode ser mortal – e há pessoas que estão em maior risco do que outras.

A constipação é um conjunto de sintomas – tosse, espirros, pingo do nariz, cansaço e febre – em vez de uma doença definida. Embora partilhe os sintomas iniciais da gripe, é uma infecção muito diferente.

O rinovírus causa cerca de metade de todas as constipações, mas outros vírus podem causar um ou mais sintomas de constipação, incluindo adenovírus, vírus da influenza, vírus sincicial respiratório e vírus da para-gripal.

A constipação comum é normalmente uma doença leve que desaparece sem tratamento em poucos dias. A maioria dos casos é diagnosticada por si mesma.

No entanto, a infecção por rinovírus ou um dos outros vírus responsáveis pelos sintomas comuns da constipação pode ser grave em algumas pessoas. As complicações causadas pela constipação podem causar doenças graves e até a morte – principalmente em pessoas que têm um sistema imunológico fraco.

Estudos mostraram que pacientes que foram submetidos a um transplante de medula óssea podem ter uma maior probabilidade de desenvolver uma infecção respiratória grave.

Há mais do que apenas uma forma de alguém ficar muito doente após a infecção por um vírus respiratório. Alguns vírus, como o adenovírus, também podem causar sintomas em todo o corpo, incluindo o trato gastro-intestinal, o trato urinário e o fígado. Outros vírus, como o vírus influenza, podem potencialmente causar inflamação grave nos pulmões, mas também podem levar a condições particularmente graves, como pneumonia bacteriana.

Uma infecção bacteriana induzida por vírus é uma das formas pelas quais um vírus da gripe ou constipação pode levar à morte. Enquanto os mecanismos exactos de como as infecções bacterianas podem ser iniciadas pela infecção viral ainda estão a ser investigados, uma possível forma de ocorrer é através do aumento da ligação bacteriana às células do pulmão.

Uma constipação também pode ter sintomas mais graves nos mais jovens e nos mais velhos. As pessoas mais velhas têm maior probabilidade de desenvolver uma infecção mais grave em comparação com adultos ou crianças mais velhas. As pessoas que fumam também têm maior probabilidade de apanhar uma constipação e apresentar sintomas mais graves.

Outro grupo de pessoas que são severamente afectadas pela infecção por vírus causadores da constipação são as pessoas que sofrem de alguma condição pulmonar, com asma, fibrose cística ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). A infecção por um vírus que causa inflamação das vias aéreas pode dificultar a respiração.

Embora a infecção bacteriana nesses pacientes possa ser tratada com antibióticos, não existe tratamento antiviral eficaz contra todos os tipos de rinovírus.

Não existe um único elemento que determine a gravidade de uma infecção por um vírus da constipação. Porém, é uma das melhoras formas de evitar a doença é lavar as mãos adequadamente, que pode impedir a propagação de muitas infecções diferentes. Além disso, todos devem tomar a vacina contra a gripe.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
11 Janeiro, 2020

 

332: Nova vacina contra o Alzheimer pronta para avançar para testes em humanos

 

CIÊNCIA/SAÚDE/ALZHEIMER

la_petite_mtx / Flickr

Uma nova vacina que previne a neuro-degeneração associada ao Alzheimer deverá começar a ser testada em humanos dentro dos próximos dois anos.

A comunidade científica antecipa com grande ansiedade uma nova vacina capaz de prevenir a neuro-degeneração associada à doença de Alzheimer. Depois dos testes em ratos terem sido um verdadeiro sucesso, esta vacina está agora pronta para avançar para os testes em humanos já nos próximos dois anos.

Segundo o New Atlas, caso a experiência em seres humanos tenha sucesso esperado, este pode bem ser o principal avanço científico da próxima década. O estudo com os resultados foi recentemente publicado na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy.

A vacina desenvolvida pela equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular da Universidade da Califórnia gera anticorpos que previnem e removem a agregação de amilóides e tau no cérebro. A acumulação destas duas proteínas é uma das principais causas patológicas associadas à neuro-degeneração.

No passado, vários tratamentos apenas se focavam numa destas proteínas. No entanto, acredita-se que o Alzheimer possa surgir da acumulação excessiva de ambas. Assim, este novo tratamento combina duas vacinas: a AV-1959R e a AV-1980R, cada uma focada numa das proteínas.

“Em animais, podemos usá-la para impedir o desenvolvimento da perda de memória antes que o animal comece a acumular estas proteínas”, disse Nikolai Petrovsky, um dos cientistas envolvidos no estudo. “Mas também podemos mostrar que, mesmo quando administramos após os animais terem as proteínas, podemos realmente livrarmo-nos das proteínas anormais”, acrescentou.

É um momento emocionante para começar a nova década — espero que este seja o avanço científico da próxima década, se conseguirmos que funcione nos testes humanos”, atirou Petrovsky.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

 

331: Ingrediente banido de muitas cozinhas pode ser a solução para uma alimentação saudável

 

CIÊNCIA/SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

SXC

O glutamato monossódico tem uma má fama na cozinha, mas um estudo recente sugere que este ingrediente usado como tempero pode ser útil para nos ajudar a manter uma alimentação saudável.

Durante décadas, o glutamato monossódico tem sido demonizado no Ocidente, culpado por sintomas como dores de cabeça, formigueiros nas pernas e braços, crises de asma e até como desencadeador de doenças neuro-degenerativas.

Apesar de haver poucos casos de pessoas que relatam sensibilidade ao ingrediente, não há provas de que este ingrediente que realça o sabor não seja seguro para consumo. Agora, um estudo aponta justamente para o oposto, que este tempero pode ser uma ajuda valiosa para que uma pessoa mantenha uma dieta saudável.

O que é?

Este é um sal sódico do ácido glutâmico, um aminoácido não essencial bastante abundante na natureza. Está presente naturalmente em alimentos como tomates, algas marinhas, cogumelos e queijos, e tem um gosto que não é nem doce, nem salgado, nem azedo e nem amargo. Por não se enquadrar em nenhum gosto básico, foi criada uma categoria especial para ele, baptizado de umami pelo investigador japonês Kikunae Ikeda, no início do século XX.

Ikeda conseguiu isolar o ácido glutâmico como uma nova substância de gosto a partir da alga marinha Laminaria japonica, através de extracção aquosa e cristalização. Esta alga é conhecida como kombu, e é ingrediente do caldo japonês de katsoubushi.

O investigador registou patente da produção do glutamato monossódico, e em 1909 o empresário Saborosuke Suzuki iniciou a produção comercial do tempero como Aji-no-moto, que significa “a essência do sabor”, em japonês. Actualmente, é produzido a partir da fermentação bacteriana. Esta fermentação é semelhante à da produção do vinho, vinagre ou iogurte, e o sódio é adicionado através de uma etapa de neutralização.

Apesar do processo de produção desta substância, não há diferença química entre o ácido glutâmico obtido desta forma ou o encontrado no tomate ou cogumelo.

Perseguição injusta?

Até os historiadores entraram nessa polémica, defendendo que a fama de “venenoso” do tempero tem mais a ver com racismo do que com ciência. Isto porque a síntese do glutamato monossódico foi descoberta no Japão, portanto populações da Europa e América encontram a molécula com mais frequência nos restaurantes asiáticos ­– apesar dela estar presente em vários alimentos processados.

Em 1968, um médico publicou uma carta na revista New England Journal of Medicine reclamando que sentia formigueiros nos braços, fraqueza e arritmias cardíacas depois de comer em restaurantes chineses. Logo de seguida, outras pessoas relataram o mesmo, e logo apareceu o termo “Síndrome do Restaurante Chinês”.

É possível que algumas pessoas realmente tenham sensibilidade ao tempero, e isto seria verificado também quando tomate, cogumelo ou queijos são consumidos. Porém, uma experiência com voluntários que relataram sentirem estes problemas, mostrou que isso parece ser mais psicológico do que físico.

Num estudo publicado na revista Journal of Allergy and Clinical Immunology em 1997, os participantes foram divididos em dois grupos: um consumiu 5 gramas de glutamato monossódico e o outro consumiu 5 gramas de placebo (lembrando que 5 gramas é uma quantia grande, muito superior ao que normalmente é consumido numa refeição).

O resultado foi que 36,1% das pessoas do primeiro grupo relataram sintomas, enquanto 24% do grupo placebo também se queixou dessas sensações.

Remover glutamato da nossa dieta pode melhorar sintomas de dor crónica

Um novo estudo piloto provou a existência de uma ligação entre a dor crónica e o consumo de glutamato monossódico,…

Útil nas dietas

Um novo estudo publicado na Neuropsychopharmacology concluiu que o consumo de sopas com glutamato monossódico em pequenas porções ajuda as pessoas a manterem dietas mais saudáveis.

Na experiência, 30 voluntárias foram divididas num grupo que consumiu uma sopa com o ingrediente antes de se servir à vontade num bufete, enquanto outro grupo consumiu uma sopa idêntica antes de se servir no mesmo bufete.

O resultado foi que as participantes escolheram alimentos com menos gordura saturada e de forma geral mais saudáveis. Os melhores efeitos foram observados nas mulheres que relataram falta de autocontrolo na hora de comer.

As participantes que consumiram a sopa com glutamato monossódico ficaram mais focadas em alimentos que elas tinham escolhido anteriormente, sem se distrair com outras opções. O consumo do glutamato monossódico fez aumentar a actividade no córtex pré-frontal, a parte do cérebro associada ao autocontrolo quando relacionado à escolha de alimentos.

O ponto fraco deste estudo é que ele avaliou apenas uma refeição, portanto não se sabe se este efeito positivo no autocontrolo seria perdido com o consumo frequente da molécula ou não.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

 

330: Médicos estão a receitar LSD a pacientes com Alzheimer

 

SAÚDE/ALZHEIMER

Elisa Paolini / Flickr

Um grupo de médicos receitou a quase 50 pacientes idosos com doença de Alzheimer doses baixas de LSD para verificar se o medicamento psicadélico tinha algum impacto na sua cognição ou equilíbrio.

Drogas psicodélicas como o LSD são um tema muito discutido entre investigadores e médicos. Estudos anteriores indicaram que o medicamento poderia ajudar a tratar condições como dependência de álcool e depressão.

O novo estudo, publicado na semana passada na revista Psychopharmacology, era apenas um ensaio clínico de fase 1 – ou seja, o foco era muito mais a segurança do que a eficácia.

A investigação não mostrou sinais de que o LSD melhorasse as habilidades cognitivas dos pacientes com Alzheimer, de acordo com o New Atlas, mas forneceu evidências de que o medicamento psicadélico também não causou nenhum dano.

Ao mostrar que o LSD não prejudicou activamente os participantes voluntários, os médicos podem agora avançar com a próxima fase de estudos voltados para a identificação dos benefícios cognitivos – se houver – de micro-dosagem de LSD.

Com base nas suas descobertas, os investigadores do estudo suspeitam que os tratamentos com LSD possam prevenir ou tratar a inflamação cerebral, retardando ou interrompendo o declínio cognitivo dos pacientes com Alzheimer e outras formas de deterioração neural.

“O estudo fornece dados de segurança tranquilizadores e abre as portas para ensaios clínicos em larga escala para avaliar os potenciais efeitos terapêuticos do LSD”, concluiu Robin Carhart-Harris, do Centro de Pesquisa Psicodélica do Imperial College London, em declarações ao New Atlas.

ZAP //

Por ZAP
2 Janeiro, 2020

 

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