0: Guiné 1968/69

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Batalhão de Caçadores nº. 2834

Unidade Mobilizadora: R I 15 Tomar
Comandante: Ten. Cor. Inf. Carlos Barroso Hipólito
2º Comandante: Maj. Inf. Rui Barbosa Mexia Leitão
Oficial Inf Oper. Adj: Maj. Inf. Albino Simões Teixeira Lino
Companhias: CCS; CCaç 2312; CCaç. 2313 e CCaç. 2314
Divisa: “Juntos Venceremos” – “pra vencer, convencer”
Partida: Embarque em 10.Jan.68; desembarque em 15.Jan.68
Regresso: Embarque em 23.Nov.69

Síntese da Actividade operacional

Em 16Jan68, rendendo o BArt 1904, assumiu a responsabilidade do Sector de Bissau, com sede em Bissau e abrangendo os subsectores de Brá, Nhacra e Quinhámel, comandando e coordenando a actividade das subunidades ali estacionadas por forma a garantir a segurança e defesa das instalações e populações da área; as suas subunidades foram então atribuídas a outros sectores.

Em 24Junho68, foi substituído no sector de Bissau pelo BCaç 1911 e assumiu em 25Junho68 a responsabilidade do Sector S2, com sede em Buba e abrangendo os subsectores de Sangonhã, que viria a ser extinto em 29Julho68, Gadamael, Cameconde, que desde 28Dez68, passou a subsector de Cacine, Guilege, Gandembel e Buba, onde rendeu o BArt 1896.

De 20Agosto a 07Dezembro68, a sua zona de acção foi reduzida dos subsectores de Guileje e Gandembel, que foram atribuídos temporariamente ao COP 2.

Em 15Janeiro69, a sua sede foi transferida para Aldeia Formosa, onde substituiu o COP 1 e sendo então o subsector de Aldeia Formosa, incluído na sua zona de acção.

Em 29Jan69, o subsector de Gandembel foi extinto e em 19Jan69, o subsector de Buba foi atribuído ao COP 4, então criado.

Em 10Julho69, por transferência da sede do COP 4 para Aldeia Formosa, o Batalhão deslocou a sua sede para Gadamael, abrangendo nesta altura os subsectores de Guileje Cacine e Gadamael.

Desenvolveu intensa actividade operacional de patrulhamento, reconhecimentos, emboscadas e segurança e controlo dos itinerários, bem como operações e acções sobre as linhas de infiltração e bases inimigas, orientada para a desarticulação dos grupos inimigos que procuravam fixar-se na sua zona de acção e ainda para a segurança e protecção dos trabalhos da estrada Buba-Aldeia Formosa.

Dentre o material capturado mais significativo, salienta-se: 2 pistolas-metralhadoras, 1 espingarda, 115 granadas de armas pesadas, 20 cunhetes de munições de armas ligeiras e 92 minas anticarro e antipessoal, destas, parte detectada e levantada nos itinerários.

Em 30Setembro69, recolheu a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso, sendo a sua zona de acção integrada no Sector S3, então da sob a responsabilidade do BArt 2865.

In, Estado Maior do Exército – Comissão para o Estudo das Campanhas de África [1961-1974
Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África [1961-9174] – 7º Volume, Fichas das Unidades, Tomo II, Guiné, 1ª Edição Lisboa 2002, pág. 104 a 106

Obs: O Livro pode ser adquirido na Direcção de História e Cultura Militar
Palácio do Lavradio – Campo Santa Clara – 1149-059 Lisboa – Telf 218 815 700

OBS: História da Unidade [Caixa nº 71 – 2ªDiv/4ª Sec, do AHM]  – A CCaç 2312; CCaç 2313 e CCaç 2314  têm História da Unidade [Caixa 76 – 2ªDiv/4ª Sec, do AHM] – Arquivo Histórico Militar>Sta. Apolónia>Lisboa

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A minha história, como ex-combatente da guerra colonial, arrumei-a na zona cerebral destinada ao esquecimento. Primeiro, porque fui obrigado a ir para uma guerra que não me dizia nada, absolutamente nada; segundo, porque quando fui mobilizado, estava casado e já tinha uma filha com dois anos de idade; terceiro, porque nunca gostei de tropa, fardas, etc..

Feita a recruta na Serra da Carregueira, em Abril de 1967,

Juramento de Bandeira - Serra da Carregueira
Juramento de Bandeira – Serra da Carregueira

segui para o RAL 4, em Leiria para tirar a especialidade de escriturário, profissão que já exercia na vida civil desde 1960. Aí, tive como companheiros de caserna o fadista João Braga e o guitarrista José Pracana.


[Nota: José Pracana, o primeiro guitarrista da esquerda, acompanhando João Braga]

Confesso que nunca gostei de fado, a minha música era outra, rock, pop, latina, dança, pois comecei na música com 10 anos de idade e a pisar os palcos das Colectividades de Recreio lisboetas, primeiro como viola clássica de acompanhamento, depois como contrabaixista e finalmente como vocalista (1958). Mas naquele tempo, as cantorias do João Braga e do Zé Pracana na caserna, davam para ir passando os tempos livres depois das aulas… Nunca mais os vi ou tive qualquer tipo de contacto com eles finda a especialidade.

Finda a especialidade fui colocado em Lisboa na Administração Militar, no Lumiar (já não me recordo bem do nome da Unidade, penso que era Grupo de Companhias de Administração Militar) e logo de seguida, colocado na Secretaria da Escola Militar de Electromecânica em Paço Arcos (parte Exército, parte Força Aérea), onde estive menos de dois meses e onde recebi a ordem de mobilização para o Ultramar.

A Unidade mobilizadora foi o R.I. 15 em Tomar para onde fui fazer o I.A.O. em Nov/Dez/67 e a 10 de Janeiro de 1968 embarquei no Uíge rumo à Guiné-Bissau tendo chegado cinco dias depois. A minha Companhia ficou 5 dias em Bissau para receber a logística, armamento e ordens de operacionalidade e seguimos por LDG até Buba onde, meia hora depois, ainda estávamos a arrumar a tralha e a instalar-nos, sofremos o primeiro ataque (banho de fogo aos piriquitos) com roquetes, canhão sem recuo e morteiro 120. A primeira reacção foi mergulho para as valas escavadas ao longo do perímetro e depois agarrar na G3 e distribuir-nos pela área do arame farpado e pelos 4 abrigos, um em cada canto do aquartelamento que era uma espécie de quadrado rodeado de arame farpado e projectores de 150W alimentados por um gerador.

Cerca de 45 minutos depois terminou a festa e o fogo de artifício, com os ouvidos abafados dos rebentamentos e a adrenalina a correr ao máximo, acabámos de arrumar a tralha enquanto a Companhia que fomos render ia embora de regresso à Metróple na mesma LDG que nos trouxera sob os cânticos de

Piriquito vai p’ró mato, olé, lé, lé…
E a velhice vai p’rá Metrópole, olé lé, lé, lé…

e lá fomos jantar ao refeitório, local que competia tragicamente com uma tasca tropical e onde a temperatura rondava os 40ºC à sombra, embora não existissem caipirinhas nem vodkas geladas… Mas… o whisky Chivas Regal, White Horse, Buchannan’s e a vodka Stolichnaya, aliado ao Cognac Martell’s e à verdadeira Coca Cola americana, começaram a ser as nossas bebidas de preferência, acompanhadas da inigualável mancarra (amendoim) dado que água… só a da bolanha (campos de cultivo de arroz) e passada por algodão depositado no lenço de assoar e chupada através dele… Uma delícia, podem crer!

Entretanto, a noite começou a cair, com uma humidade de fazer ranger os ossos mas com todos de olho aberto/olho a dormir não se tendo passado mais nada de especial. Nos dias seguintes e durante os cerca de seis meses que passámos em Buba, as “festas” e o “fogo de artifício” eram quase dia sim dia não. Os primeiros dois meses custaram, mas depois acabou a era do piriquito e começou a era do veterano onde tudo se procedia com mais calma e ponderação e onde não se faziam tantos disparates a nível pessoal.

Aquele brasão do BCaç.2834, no estandarte inserido no topo desta notícia, foi da autoria do então Tenente Esteves, Chefe da Secretaria da CCS do Batalhão, mas foi integralmente acabado e pintado por mim, primeiro em papel vegetal e depois em papel normal para enviar à empresa que fabricava esse tipo de galhardetes. Um trabalho de dias e dias seguidos…

(em actualização)

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4 comentários em “0: Guiné 1968/69”

  1. Bom para começo de arquivo histórico!
    Também será interessante deixar para a posteridade o registo daquilo que de menos bom aconteceu, viveste.
    Assim ficará um registo mais próximo da realidade vivida para os vindouros.
    Um abraço.
    CPF
    ex fur mil COMBIS/COP 8 (71/73)

  2. Os registos negativos, propositadamente e através de um auto-apagão zen-encefálico, deu-se mesmo. Os primeiros seis meses de vivência em Lisboa, depois da desmobilização, foram terríveis porque não me habituava de novo aos sons da cidade, às buzinas dos automóveis, à fala das pessoas nos transportes públicos e até mesmo em casa, quando algum objecto caía ao chão, dava o inevitável mergulho em prancha livre… Só o facto de não saber se acordava vivo e nunca mais veria a esposa e filha, mordiam as entranhas como ácido em cima de pele… Mas alguma coisa menos má será recordada assim como as coisas giras e boas que passei com o pessoal da minha Companhia… Também nem tudo era mau e existiram episódios hilariantes que são autênticas anedotas e hoje, passados esses anos todos, dão para sorrir, mesmo que amarelento…
    Um abraço
    FG
    ex 1º.Cabo esferográfica G3

  3. Caro.,Francisco Gomes, sou mais um dos que te acompanhou nessa caminhada,por terras da guine, como Bissau, Buba ,Aldeia Formosa, recordo bem esse grande jantar que os turras nos quiseram oferecer, acompanhado de morteiro,bazuca,costur, Fui cond.da ccs na minha primeira coluna, perdi um grande amigo também cond. o Felgueiras, que nessa fatídica coluna seguia de rebenta minas, peço desculpa, por não continuar esta memoria.««« meu nome é Francisco Oliveira, conhecido junto de vós como o, ERMESINDE

    1. Olá Francisco, lembro-me do teu “nick” Ermesinde, mas não o estou a ligar ao rosto. Desculpa, mas os anos e problemas vários de saúde, fizeram com que perdesse muitas recordações desses tempos e dos camaradas. Os únicos com quem ainda tive alguns contactos nos últimos anos foi o sacristão da CCS que era motorista da Carris (penso que já se reformou porque nunca mais o vi) e o Luís Neto que trabalhava comigo na secretaria da CCS com o Ten. Esteves. Mas se puderes enviar uma foto tua desses tempos, agradeço porque assim eu recordaria mais rapidamente. Obrigado pela tua mensagem e sempre que queiras escreve.

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