Jan 27
2015

747: Portugueses encontram cinco planetas parecidos com a Terra

A descoberta de cinco planetas extras-solares muito antigos a orbitar a estrela Kepler-444, com tamanhos entre Mercúrio e Vénus, foi anunciada por equipa internacional que integra astrofísicos portugueses.

expresso27012015Uma equipa internacional de cientistas, da qual fazem parte os investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Vardan Adibekyan, Nuno Santos e Sérgio Sousa, e o português Tiago Campante, da Universidade de Birmingham (Reino Unido), encontrou cinco planetas parecidos com a Terra a orbitar a estrela Kepler-444, a 116 anos-luz do Sistema Solar.

A descoberta foi publicada na revista de referência internacional “The Astrophysical Journal” e foi possível graças aos dados recolhidos ao longo de quatro anos pelo telescópio espacial Kepler, da NASA.

Este sistema com cinco planetas extras-solares, localizado na Via Láctea, ter-se-á formado há 11,2 mil milhões de anos, ou seja, quando o Universo tinha cerca de um quinto dos actuais 13,8 mil milhões de anos de idade.

2,5 vezes mais antigo do que o Sistema Solar
Isto significa que quando a Terra se formou, os cinco planetas deste sistema 2,5 vezes mais antigo do que o nosso Sistema Solar, já eram mais velhos do que a idade actual da Terra. Este é, assim, o mais antigo sistema estelar conhecido a albergar planetas do tipo terrestre.

Para o investigador arménio Vardan Adibekyan, “a descoberta de um sistema com planetas do tipo terrestre tão antigo como o Kepler-444, confirma que os primeiros planetas se formaram muito cedo na vida da nossa galáxia, o que nos dá uma indicação de quando começou a era de formação planetária”.

E para o primeiro autor do artigo publicado na revista “The Astrophysical Journal” , Tiago Campante, esta descoberta tem implicações profundas nas teorias de formação planetária. “Agora sabemos que planetas do tamanho da Terra se formaram ao longo dos 13,8 mil milhões de anos de idade do Universo, o que significa que potencialmente poderão ter sido criadas as condições para o aparecimento de vida desde muito cedo na história do Universo”.

 NASA Os dados recolhidos durante quatro anos pelo telescópio espacial Kepler, da NASA, permitiram descobrir os novos planetas extras solares

NASA Os dados recolhidos durante quatro anos pelo telescópio espacial Kepler, da NASA, permitiram descobrir os novos planetas extras solares

O sistema é dos mais próximos observados pelo telescópio espacial Kepler, que detectou os cinco planetas através do Método dos Trânsitos. Este método consiste na medição da diminuição da luz de uma estrela, provocada pela passagem de um planeta na sua frente (algo semelhante a um micro-eclipse).

Através deste trânsito é possível determinar apenas o raio do planeta. O método é complicado de aplicar, porque exige que o planeta e a estrela estejam exatamente alinhados com a linha de visão do observador.

Órbitas de dez dias
O sistema planetário descoberto é extremamente compacto, sendo as órbitas dos planetas menos de cinco vezes inferiores à órbita de Mercúrio, o que significa que completam uma translação à volta da estrela em 10 dias ou menos.

Como o Método dos Trânsitos é indirecto, só permite determinar o tamanho dos planetas em relação ao tamanho da estrela-mãe, sendo necessário conhecer com precisão as características físicas da estrela, para conseguir determinar o tamanho dos planetas.

Assim, a equipa de cientistas teve de recorrer a técnicas de asterossismologia, que lhe permitiu concluir que a estrela Kepler-444 é uma anã laranja, ligeiramente menor que o Sol e com uma temperatura de cerca de 5000 graus Celsius à superfície. A asterossismologia é o estudo do interior das estrelas através da sua actividade sísmica medida à superfície.

Jornal Expresso
Virgílio Azevedo |
14:09 Terça feira, 27 de Janeiro de 2015

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