Nov 15
2014

685: Caiu de lado e está quase sem bateria, mas o Philae vai furar o cometa

Esta foto mostra um desenho do módulo na posição em que se crê que terá aterrado, por cima de uma foto panorâmica do cometa tirada pelo Philae (fornecido à Reuters pela Agência Espacial Europeia) Fotografia © REUTERS/ESA/Rosetta/Philae/CIVA/Handout

Esta foto mostra um desenho do módulo na posição em que se crê que terá aterrado, por cima de uma foto panorâmica do cometa tirada pelo Philae (fornecido à Reuters pela Agência Espacial Europeia) Fotografia © REUTERS/ESA/Rosetta/Philae/CIVA/Handout

Depois da aterragem, o módulo enviado pela sonda Rosetta tombou de lado e foi parar a uma zona de sombra onde não consegue carregar as baterias solares.

Após uma viagem de dez anos e mais de seis mil milhões de quilómetros, a sonda Rosetta enviou o módulo Philae para o cometa Churyumov-Gerasimenko (ou 67P), e a aterragem foi comemorada na Agência Espacial Europeia (ESA). Mas nem tudo correu como planeado, e agora a missão na superfície está em risco de ser muito mais curta do que os quatro meses previstos.

Devido à posição desfavorável do módulo, que caiu de lado e na sombra, prevê-se que este possa ficar sem bateria nas próximas horas, o que poria um fim abrupto à missão da sonda na superfície do 67B. A sonda Rosetta, porém, continuará a acompanhar o cometa e a fazer observações até Dezembro do ano que vem, no mínimo.

O Philae começa agora a furar o cometa com um instrumento que funciona como uma broca, apesar de medos de que isso possa fazer tombar o módulo. Também não se sabe se conseguirá enviar os dados recolhidos de volta para a Terra antes de acabar a sua bateria.

“A broca tem estado ativa hoje, se conseguirá tirar amostras e levar estas amostras aos fornos [laboratórios a bordo do módulo] já só saberemos logo à noite. É muito entusiasmante porque não estamos certos de que a bateria tenha energia suficiente para nos transmitir os dados“, conta, citado pela BBC, Stephan Ulamec, membro da equipa que gere o Philae, numa conferência de imprensa em Darmstadt, na Alemanha.

O Philae começou por aterrar num lugar ideal na superfície do cometa, mas os seus arpões não dispararam como deviam, fazendo o módulo ressaltar cerca de um quilómetro para o espaço antes de voltar a cair, desta vez numa zona muito menos favorável. O pequeno módulo, mais ou menos do tamanho de uma máquina de lavar, encontra-se na sombra de um penhasco.

O principal cientista responsável pelo módulo Philae, Jean-Pierre Bibring, explica, citado pelo Guardian: “Estamos exactamente por baixo de um penhasco, por isso estamos permanentemente numa sombra.” Ainda, o módulo aterrou de lado, com as fotografias que envia a mostrá-lo com uma perna no ar.

O Philae tem uma bateria que dura 60 horas, mas precisaria de seis ou sete horas diárias de exposição solar para carregar as baterias solares que deveriam tomar controlo quando esta se esgotasse. Onde se encontra, crê-se que terá apenas uma e meia, o que não é suficiente para manter o módulo operacional.

Embora o módulo tenha equipamento a bordo que o permite mover-se de um lado para o outro, a sua posição pouco estável faz com que a operação seja considerada demasiado arriscada.

O Philae não ia ser uma experiência de longa duração. Mesmo que tudo tivesse corrido como previsto, o módulo só ficaria operacional durante cerca de quatro meses, após os quais o cometa chegaria perto do Sol e a sua superfície ficaria demasiado quente.

No entanto, conforme explica o Washington Post, esperava-se que o Philae pudesse ter mais tempo para ficar a conhecer o cometa, e para perceber as mudanças por que este passa ao aproximar-se do Sol.

In Diário de Notícias online
13/11/2014

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